segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Só a Terra Permanece, de George R. Stewart


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Depois de relacionar este livro entre aqueles que li mais de duas vezes, no post “Quantos Livros você já Leu?”, é preciso dar uma idéia dele, justificando ter colocado junto com outros autores quase compulsórios.
*
George Rippey Stewart nasceu em Sewickley, Pensilvânia em 31 de Maio de 1895 e morreu em 22 de Agosto de 1980, formado na Universidade de Princeton, na Universidade da California e na de Columbia. Foi profissionalmente um toponimista estado-unidense, escritor e professor de inglês na Universidade de Berkeley, Califórnia, até 1962.
*
Ele é conhecido no Brasil pelo seu livro de ficção científica, Earth Abides (Só a Terra Permanece), de 1949. Única obra publicada no Brasil, dentre tantas e tão variadas que produziu.
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É uma ficção científica dita “apocalíptica”, por descrever o mundo misteriosamente esvaziado de seres humanos por um vírus mortal. Não sei bem o motivo de gostar tanto desse livrinho. Talvez a atitude pacífica e até ingênua do personagem.
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Talvez pelo martelo, onipresente metáfora do homem que sobrevive em qualquer
 circunstância. Gosto de outros livros do gênero “sobreviver”, como “Três Homens num Barco”, de Jerome K. Jerome.
*
Com ele, ganhou o primeiro International Fantasy Award em 1951. A ficção foi dramatizada no programa de rádio Escape e inspirou The Stand, obra de Stephen King. O filme com Kevin Costner “O Mensageiro”, texto de Bavid Brin, copia descaradamente a situação de comunidades isoladas numa América pós-guerra final, inserindo um carteiro na trama. Outros autores exploraram o tema “depois do fim”, como Richard Matheson, em “A Última Esperança da Terra”.

No gênero, mas na telinha, tenho assistido o seriado “Survivors”, da BBC, que ainda não passa no Brasil mas pode ser baixado, é passável.

Recente, assisti o filme “The Road”, baseado na novela de Cormac McCarthy, dirigido por
John Hilcoat, com Vigo Mortensen e Charlize Theron, mais algumas participações de peso, que também explora esta situação dramática mas de um ângulo absolutamente aterrorizante e depressivo. Precisa muita coragem para assistir, mas vale a pena. Se você for um dos últimos sobreviventes, não vai dispor de shoppings centers só para você indefinidamente.

Outro filme recente, “The Book of Eli”, dirigido pelos Hughes Brothers, com Denzel Washington, é como o “The Road” acrescentado de um herói ninja e bem pasteurizado.

“Earth Abides” continua sendo um dos melhores romances de ficção científica que eu tive o prazer de treler, um clássico da ficção especulativa que, sessenta anos depois de sua primeira publicação, não perdeu nenhum frescor e originalidade. É uma daquelas situações dramáticas básicas que sofrem frequentes releituras.
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Depois de um evento devastador, com a extinção da civilização humana devido a um vírus de origem desconhecida, Ish Williams deve encarar o fato de ser possivelmente o último ser humano no planeta Terra. Vagando pelos EUA, será confrontado com os dilemas e situações que um homem comum poderia enfrentar. Escrito em 1950, não contém nenhum detalhe que possa datar a obra. Durante as três partes do livro, que coincidem com as três idades do personagem (juventude, maturidade e velhice), Ish será testemunha, ator e lenda viva neste novo mundo que é forjado a partir da destruição da civilização.
*
Embora o romance seja altamente viciante e seja narrado de forma eficaz com grande lirismo e uma surpreendente capacidade de descrever, não há nenhum enredo real. Muitas vezes, os capítulos são apenas coisas que acontecem, os eventos estão lentamente moldando um novo mundo e o homem é apenas um elemento que precisa se adaptar a um ambiente que não pode mais domar.
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George R. Stewart foi o autor de vários livros sobre geografia e costumes dos Estados Unidos e torna este romance um louvor à natureza, ao ambientalismo, à imensidão da vida e à piada que é o homem no meio da Terra. Pois “Os homens vêm e vão, só a terra permanece”. É um grito de humildade humana, a reflexão sobre felicidade, simplicidade e civilização. Realmente, esta novela merece um artigo de maior comprimento, pois embora seja divertido de ler, a profundidade dos temas abordados convida à reflexão e conscientização.
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Possivelmente, um dos grandes sucessos deste romance é poder ser lido em diferentes níveis: desde a simples história de sobrevivência em um mundo em ruínas até os sentimentos profundos que este romance ecológico desperta no leitor.
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Só posso recomendar ler e apreciar um grande romance de ficção científica, este velho gènero tantas vezes ultrapassado e tantas outras vezes profético. É um grande romance e, portanto, vale a pena ler.
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Foi seu livro Storm, de 1941, destacando-se como protagonista uma tempestade no Oceano Pacífico chamada “Maria”, que levou ao Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos a usar nomes de pessoas para designar tempestades e inspirou Alan Jay Lerner e Frederick Loewe a escrever a música “They Call the Wind Maria” para o músical Paint Your Yagon, em 1951.
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George R. Stewart foi um membro fundador da American Name Society em 1956-1957 e ele serviu, uma vez, como testemunha chave numa tentativa de assassinato de um especialista em nomes familiares. Seus trabalhos acadêmicos sobre a poesia métrica das baladas (publicada sob o nome de George R. Stewart Jr.), começando com sua dissertação em Ph.D., em 1922, na Universidade de Columbia, continua importante em sua área.

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RELAÇÃO DE SUAS OBRAS
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* Earth Abides
* Ordeal by Hunger
* Names on the Land: A Historical Account of Place-Naming in the United…
* Pickett’s Charge
* Storm
* The Pioneers Go West (Landmark Books)
* Fire
* To California by Covered Wagon
* American place-names; a concise and selective dictionary for the…
* American Given Names: Their Origin and History in the Context of the…
* The California Trail: An Epic with Many Heroes
* Names on the Globe
* Committee of Vigilance; Revolution in San Francisco, 1851, an Account of…
* American ways of life
* U.S. 40 Cross Section Of The United States of America
* Donner Pass and Those Who Crossed It The story of the country made notable…
* N.A. 1: The North-South Continental Highway
* Man. An Autobiography
* The year of the oath; the fight for academic freedom at the University of…
* Take Your Bible in One Hand: The Life of William Henry Thomes
* Doctor’s oral
* The Years of the City
* Good lives
* East of the Giants
* John Phoenix, esq., the veritable Squibob a life of Captain George H.…
* Bret Harte: Argonaut and Exile
* Leben ohne Ende : Science Fiction-Roman
* Notes on R. O. Bolt,: A man for all seasons; (Notes on chosen English…
* The Parent’s Success Guide to Baby Names For Dummies (Lifestyles…
* Im Schatten der goldenen Berge
* A bibliography of the writings of Bret Harte in the magazines and…
* Not So Rich As You Think
*
Estudando nomes, escrevendo livros de história, biografias, romances e ficção científica, além de poesia e muitos trabalhos acadêmicos, tem muito mais a dizer do que apenas um livro publicado em lingua portuguesa.
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A própria estória dessa publicação brasileira é heróica.
*
Foi publicado pela EDIÇÕES GRD, do visionário empreendedor
Gumercindo Rocha Dorea
editor Gumercindo Rocha Dorea.
Ele iniciou o “Clube GRD de Ficção Científica” com esse livro. A Ficção Científica GRD se tornou a mais importante coleção de FC da sua época, e talvez de todos os tempos, no Brasil. Publicou pela primeira vez aqui nomes de peso como C. S. Lewis, Robert A. Heinlein, James Blish, John Wyndham, Chad Oliver, Ievguêni Zamiátin – e em coleções paralelas, as Edições GRD de Dorea franquearam aos leitores brasileiros também Ray Bradbury, H. P. Lovecraft, Walter M. Miller, Jr., Fredric Brown, entre outros.
*
Li todos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Jose de Sousa Saramago e eu.

Comecei a ler Saramago pelo seu livro mais delicioso.

Cheio de personagens fantásticos e cativantes envolvidos numa fantasia, "Memorial do Convento" me fez dizer que Saramago é um Stephen King português, só para tentar seduzir a enorme legião de leitores do arrasa-quarteirão americano.
Nenhum deles ficaria decepcionado, pois outros livros de  Saramago são tão fantásticos como o conto mais delirante de Jorge Luiz Borges. Como em "Ensaio Sobre a Cegueira", "A Caverna", "A Jangada de Pedra", "O Ano da Morte de Ricardo Reis", "História do  Cerco de Lisboa", todos pura liretatura fantástica.

E isso é prato cheio para quem quer ler com o nobre objetivo de se divertir, mas causando o efeito colateral desejável de fazer o leitor refletir sobre temas essenciais do ser humano.
Aí o sujeito diz que não gosta do português de Portugal que Saramago sempre fez questão de preservar no Brasil. Diz, ainda, que os parágrafos são muito grandes e que os diálogos não são separados numa linha para cada fala, com aquele travessão no lado esquerdo da folha. Pois deixe de ser bobo, sujeito! O interessante a mais é mesmo a conversa de Saramago, nos mostrando a música e a poesia que usou para se expressar. Quanto aos diálogos, é genial como nos economiza papel e como é fácil entender o colóquio dos personagens, mesmo lendo com minima atenção.

Amaciado pelos livros mais aventurescos e fantasiosos, passei a ler "Levantado do Chão", "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e outros. Todos os outros até não sobrar nenhum, mesmo aqueles não tão bons para se divertir, mas sempre polêmicos e inesperados.

Claro que tem coisas sobre ele que contesto. Ele mesmo me ensinou a sempre contestar.
Cheguei a achar que não permitia que seus livros fossem adaptados para o português do Brasil porque a nossa é "língua de preto". Coisa em que não acredito, mesmo que ele mesmo me dissesse.

Achei que não merecia o Prêmio Nobel, pois temi que a honraria iria dar à sua obra um verniz de erudição que afastaria os leitores populares. Mas nada tema, pois ele é muito fácil de ler e muito divertido, também.

Uns outros livrinhos, surgidos por aqui depois do Prêmio Nóbel, achei até bem indigestos, parecendo coisas escritas há muito tempo, resgatadas do fundo da gaveta para alimentar os leitores e aproveitar a conquistada notoriedade. Porém, contestador, polêmico e libertário, Saramago não é o tipo do escritor de "mais e mais do mesmo", pois cada obra é única e independente das outras, ao contrário de quase todos os outros escritores cujos trabalhos sempre refletem os mesmos ambientes e os mesmos temas. Nós, 'o mercado', temos essa voracidade por sempre mais da mesma coisa, basta ver a comoção que causa o fim de uma saga qualquer, seja de vampiros ou de bruxos. Ou a forte demanda para livros sobre a mesma coisa de qualquer autor. Logo, Saramago contesta e ao leitor só resta crescer e evoluir.

Essa é a história de Saramago e eu.

Hoje, 18 de Junho, será a data de lembrar Saramago, dia que vem logo depois do dia de lembrar James Joyce, outro contestador, no dia do Bloom's Day.

O Livro que me fez Chorar

Nunca pretendi ser intelectual. Não admito ficar limitado, perder o controle de mim ou ter opiniões definitivas, portanto posso ler qualquer coisa, não uso droga nenhuma e mudo constantemente.
Posso ler qualquer coisa, apenas respeitando minhas fases pessoais, o que pode significar um tempo sem ler nada, mas fico aberto a ler de tudo. Sempre foi assim.
Como não vivo de leitura, ou seja, não sou professor de literatura, nem escritor, nem editor ou trabalhador em qualquer coisa escrita ou falada, não tenho nenhum compromisso com o que se convencionou classificar como Literatura, seja lá o que isso implique. Sequer uso as coisas que leio para algum proveito pessoal, sempre cuidando na escolha das expressões que uso no dia-a-dia, simplificando para não parecer pedante. Sou apenas Leitor e leio exclusivamente por diversão - mesmo livros sérios.
Não me seduz a idéia de sair por aí citando autores respeitáveis, como não me esquivo em admitir que, sim!, li, adorei e recomendo o livro "A Hospedeira", de Stephenie Meyer. Provavelmente não vou encontrar livro melhor para ler no resto desse ano.
Dentre todos os livros, de todos os gêneros e em todas as classificações, alguns livros me alcançaram profundamente. Prendendo de forma irresistível até o fim, trazendo informações preciosas, emocionando um pouco ou bastante. Mas, qual me fez chorar?
Chorar de verdade, com lágrimas mesmo.
No sentido figurado, muitos causaram esse efeito. No sentido pleno e real só um.
O título dele é "O homem Que Vendeu a Lua" ou "The Man Who Sold the Moon", de Robert A. Heinlen.
Fico perguntando a razão de ter sido esse específico livro. Apenas um exemplar inexpressivo de não-literatura, do gênero Ficção Científica, de um autor mais notório por talvez ter sido o inspirador do assassino delirante Charles Mason através do seu outro livro "Estranho numa Terra Estranha".
Lembro que é sobre um sujeito, rico industrial americano, que invoca de querer ir à Lua. Para isso faz barbaridades, jogadas escusas, esforços extremos, para finalmente empatar toda sua fortuna num foguete para fazer a viagem. Quando estava tudo pronto, com os credores nos calcanhares (eram os anos 7o!), não deixaram ele embarcar por problemas de saúde. O final é barra pesada.

Fiz um poema, no final, que virou música, chama-se "O Velho Astronauta":
Enterrem meu corpo
Em solo lunar,
Ao lado da nave
Que me leva a sonhar.
*
Corri muitos mundos
De estranha luz estelar.
Amei outros seres
De outro sistema solar.
*
Me deixem bem fundo
De uma cratera lunar,
Onde possa, para sempre,
No espaço morar.
*
Sozinho no espaço,
Da glória dos homens falei,
Da vida na terra
Que eu nunca levei.
*
Ficar na menina
Dos olhos da Terra.
Na lua de prata pousar,
Quem me dera.
O livro me pegou. Não encontro nem motivos para indicar a leitura dele para qualquer outra pessoa. Só não houve nenhum outro que tivesse causado o mesmo efeito: Chorar sem vergonha.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Só a Terra Permanece, de George R. Stewart

Sobre o livro de George R. Stewart

*

Depois de relacionar este livro entre aqueles que li mais de duas vezes, no post "Quantos Livros você já Leu?", é preciso dar uma idéia dele, justificando ter colocado junto com monstros quase compulsórios.


George Rippey Stewart nasceu em Sewickley, Pensilvânia em 31 de Maio de 1895 e morreu em 22 de Agosto de 1980, formado na Universidade de Princeton, na Universidade da California e na de  Columbia. Foi profissionalmente  um toponimista estado-unidense, escritor e professor de inglês na Universidade de Berkeley, Califórnia, até 1962.

Ele é  conhecido no Brasil pelo seu livro de ficção científica, Earth Abides (Só a Terra Permanece), de 1949. Única obra publicada no Brasil, dentre tantas e tão variadas que publicou.

É uma ficção científica dita "apocalíptica", por descrever o mundo misteriosamente esvaziado de seres humanos por um vírus mortal. Não sei bem o motivo de gostar tanto desse livrinho. Talvez a atitude pacífica e até ingênua do personagem.

Talvez pelo martelo, onipresente metáfora do homem que sobrevive em qualquer circunstância. Gosto de outros livros do gênero "sobreviver", como "Três Homens num Barco", de Jerome K. Jerome.

Com ele, ganhou o primeiro International Fantasy Award em 1951. A ficção foi dramatizada no programa de rádio Escape e inspirou The Stand, obra de Stephen King. O filme com Kevin Costner "O Mensageiro", texto de Bavid Brin copia a situação do livro, inserindo um carteiro.

Continua sendo um dos melhores romances de ficção científica que eu tive o prazer de treler, um clássico da ficção especulativa que, sessenta anos depois de sua primeira publicação, não perdeu nenhum frescor e originalidade.

Depois de um evento devastador, com a extinção da civilização humana devido a um vírus de origem desconhecida, Ish Williams deve encarar o fato de ser possivelmente o último ser humano no planeta Terra. Vagando pelos EUA, será confrontado com os dilemas e situações que um homem comum poderia enfrentar. Escrito em 1950, não contém nenhum detalhe que possa datar a obra. Durante as três partes do livro, que coincidem com as três idades do personagem (juventude, maturidade e velhice), Ish será testemunha, ator e lenda viva neste novo mundo que é forjado a partir da destruição da civilização.

Embora o romance seja altamente viciante e seja narrado de forma eficaz com grande lirismo e uma surpreendente capacidade de descrever, não há nenhum enredo real. Muitas vezes, os capítulos são apenas coisas que acontecem, os eventos estão lentamente moldando um novo mundo e o homem é apenas um elemento que precisa se adaptar a um ambiente que não pode mais domar.

George R. Stewart foi o autor de vários livros sobre geografia e costumes dos Estados Unidos e torna este romance um louvor à natureza, ao ambientalismo, à imensidão da vida e à piada que é o homem no meio da Terra. Pois "Os homens vêm e vão, mas a terra permanece".  É um grito de humildade humana, a reflexão sobre felicidade, simplicidade e civilização. Realmente, esta novela merece um artigo de maior comprimento, pois embora seja divertido de ler, a profundidade dos temas abordados convida à reflexão e conscientização.

Possivelmente, um dos grandes sucessos deste romance é poder ser lido em diferentes níveis: desde a simples história de sobrevivência em um mundo em ruínas até os sentimentos profundos que este romance ecológico desperta no leitor.

Só posso recomendar ler e apreciar um grande romance de ficção científica, este velho gènero tantas vezes ultrapassado e tantas outras vezes profético.  É um grande romance e, portanto, vale a pena ler.

Foi seu livro Storm, de 1941, destacando-se como protagonista uma tempestade no Oceano Pacífico chamada "Maria", que levou ao Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos a usar nomes de pessoas para designar tempestades e inspirou Alan Jay Lerner e Frederick Loewe a escrever a música "They Call the Wind Maria" para o músical Paint Your Yagon, em 1951.

George R. Stewart foi um membro fundador da American Name Society em 1956-1957 e ele serviu, uma vez, como testemunha chave numa tentativa de assassinato de um especialista em nomes familiares. Seus trabalhos acadêmicos sobre a poesia métrica das baladas (publicada sob o nome de George R. Stewart Jr.), começando com sua dissertação em Ph.D., em 1922, na Universidade de Columbia, continua importante em sua área.

*

RELAÇÃO DE SUAS OBRAS

* Earth Abides

* Ordeal by Hunger

* Names on the Land: A Historical Account of Place-Naming in the United…

* Pickett's Charge

* Storm

* The Pioneers Go West (Landmark Books)

* Fire

* To California by Covered Wagon

* American place-names; a concise and selective dictionary for the…

* American Given Names: Their Origin and History in the Context of the…

* The California Trail: An Epic with Many Heroes

* Names on the Globe

* Committee of Vigilance; Revolution in San Francisco, 1851, an Account of…

* American ways of life

* U.S. 40 Cross Section Of The United States of America

* Donner Pass and Those Who Crossed It The story of the country made notable…

* N.A. 1: The North-South Continental Highway

* Man. An Autobiography

* The year of the oath; the fight for academic freedom at the University of…

* Take Your Bible in One Hand: The Life of William Henry Thomes

* Doctor's oral

* The Years of the City

* Good lives

* East of the Giants

* John Phoenix, esq., the veritable Squibob a life of Captain George H.…

* Bret Harte: Argonaut and Exile

* Leben ohne Ende : Science Fiction-Roman

* Notes on R. O. Bolt,: A man for all seasons; (Notes on chosen English…

* The Parent's Success Guide to Baby Names For Dummies (Lifestyles…

* Im Schatten der goldenen Berge

* A bibliography of the writings of Bret Harte in the magazines and…

* Not So Rich As You Think

Estudando nomes, escrevendo livros de história, biografias, romances e  ficção científica, além de poesia e muitos trabalhos acadêmicos, tem muito mais a dizer do que apenas um livro publicado em lingua portuguesa.

A própria estória dessa publicação é heróica. Foi publicado pela EDIÇÕES GRD, do visionário empreendedor editor Gumercindo Rocha Dorea. Ele iniciou o "Clube GRD de Ficção Científica" com esse livro. A Ficção Científica GRD se tornou a mais importante coleção de FC da sua época, e talvez de todos os tempos, no Brasil. Publicou pela primeira vez aqui nomes de peso como C. S. Lewis, Robert A. Heinlein, James Blish, John Wyndham, Chad Oliver, Ievguêni Zamiátin - e em coleções paralelas, as Edições GRD de Dorea franquearam aos leitores brasileiros também Ray Bradbury, H. P. Lovecraft, Walter M. Miller, Jr., Fredric Brown, entre outros. Li todos.

t

combinar/separar obras?

domingo, 25 de outubro de 2009

Quantos Livros Você já Leu?

Uma pergunta vasta: Quantos livros você já leu em sua vida?
*

Vamos estabelecer alguns critérios para responder com alguma exatidão.
*


Não importa a qualidade da leitura. Pode ser aquela leitura rápida sem maior ambição do que simplesmente divertir e passar o tempo. Pode incluir as meias leituras, aquelas onde você não conseguiu concluir por mais que tentasse terminar o livro, mesmo indo contra seus princípios de nunca recuar diante de uma dificuldade dessa natureza. É permitido incluir a leitura de livros impingidos na escola e livros técnicos necessários ao exercício de sua profissão. É aceitável incluir qualquer livro, mesmo aqueles que você se envergonhou de ter lido e nem às paredes confessa que gostou, pois a pergunta não é QUAIS livros você já leu, apenas quantos. Combinemos excluir apenas um Livro, a Bíblia.

*
Para algumas pessoas, a resposta é precisa e imediata, infelizmente. Leram tão poucos livros que lembram de cada um deles com detalhes tipo: a idade que tinham quando leram, a casa onde moravam, se leram na cama ou na poltrona ou no banheiro.

Conheci um sujeito que dizia ter lido UM livro. Leu apenas por obrigação na escola básica, mas inflava o peito e dizia "eu li a moreninha", obrigando o interlocutor a se esforçar para disfarçar expressão de assombro e incredulidade. Descascando bem o ser humano, para conhecer seu interior, descobri mais tarde que leu também outros livros de contabilidade e então perguntei qual o motivo de não incluir mais esses em sua conta e ele me respondeu que esses... não eram bem livros... só estudo. Parece resposta razoável, pelo menos nesse caso.
 *
A maioria das pessoas lerão de 20 a 50 livros durante a vida inteira.  Para esses, a leitura é uma atividade dolorosa, desenvolvida com muita relutância. Começam por alguma imposição da escola ou do trabalho e, quase sempre, por força de um modismo ou pela necessidade de reunir atributos semelhantes aos do grupo de seus amigos e assim participar das conversas. O ato de ler é penoso, com a leitura de umas poucas folhas por dia e sempre de olho na numeração das páginas para constatar quantas já leu e quantas ainda faltam para finalmente concluir. Raramente lerão livros muito grandes, pois a simples visão de um livrão promete que a empreitada vai ser dura.
Esse tipo de leitor sempre sabe com certeza QUANTOS e QUAIS foram os livros que já leu e, por mais incrível que pareça, lembram até do que estava escrito neles, pois leram devagar e com atenção. Em resumo, não souberam curtir.

*
Quem não pode ficar sem algum livro para ler e, quando esta lendo, avalia com tristeza que o livro já está na metade ou mesmo quase acabando, nunca vai poder responder à pergunta inicial. Sequer com uma margem razoável de erro. Nem mesmo pela média mensal de livros lidos desde que aprendeu a ler, pois há fase de ler dez e fase de ler três e outras de ler nenhum. Muito menos pelos livros em sua estante, pois sabe deus quantos leu por empréstimo, quantos sumiram ou foram emprestados e quantos não sobreviveram. Nem pensar em enumerar mesmo por cima todos os livros, serão semanas só pensando nisso.

*
Uma outra pergunta bem mais fácil teria que ser feita:
Quantos Livros Você já Releu?

*

Jorge Luis Borges diz que o que importa é a releitura, é onde está a verdadeira leitura. Talvez, para ele, a primeira é a hora do assombro com a novidade e do maravilhamento com o superlativo. Na seguinte, é o momento do detalhe requintado, do prolongamento do prazer que já não se preocupa com o desdobramento da trama e a conclusão dos mistérios.
Uma coisa é certa, a pessoa que relê nunca é a mesma pessoa que um dia leu e pode estar interessada em outros aspectos da obra que passaram despercebidos na primeira ou na segunda vez.
*

Essa pergunta é mais fácil. Pode ser: nenhum e tantos. Para facilitar ainda mais, pode responder com grande margem de acerto, tipo "li uns dez" ou, "li ins cinqüenta", pois, na esmagadora maioria dos casos, você tem esses livros junto de você e poderia agora mesmo ir pegar todos eles e provar que releu e, pior, tentar me convencer a ler também todos eles e, se eu já li alguns, comentar cada um deles muito satisfeito por encontrar uma verdadeira alma gêmea.
*
Agora, quer uma pergunta realmente fácil?
Uma pergunta que pode ser respondida de pronto e com absoluta exatidão, sem nenhuma margem de erro:

QUANTOS LIVROS VOCÊ JÁ TRELEU?


Quantos e quais foram os livros que você já leu três ou mais vêzes? Uma meia dúzia, no máximo dez? Quantos se identificaram tanto com você? Quais são esses livros de infinitas novidades e inesgotáveis informações cujas leituras, por mais pormenorizadas e atentas, jamais serão satisfatórias?
*
Contudo, o importante talvez não seja quantos livros já li,
mas sim o outro tanto que pretendo ler ainda ler.



Vou denunciar alguns que já treli.
*
O Leopardo, de Giuseppe Tomaso de Lampedusa.


Meu Encontro com Marx e Freud, de Erich Fromm.


Só a Terra Permanece, de George R. Stewart.






 *
Ulisses, de James Joyce.
Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce.


Eros e Civilização, de Herbert Marcuse.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Morte em Veneza, de Thomas Mann


Encantado pela possibilidade de ter deixado passar uma porção de livros, clássicos da literatura universal, depois de ter lido "O Leopardo", iniciei a leitura de "Morte em Veneza" de Thomas Mann. Livrinho pequeno, aparentemente despretencioso e respaldado na efusiva aprovação de qualquer intelectual que se preze.
Lamento informar de minha decepção.
A edição é da Abril Cutural, de 1979, na direção de Victor Civita. Apesar de popular, é bem cuidada, com alguns erros de edição. Tendo gostado da edição para "Ulisses" de James Joyce, sempre considerei como boas as edições da Abril, mas essa em minhas mãos é sofrível.
Primeiro, pela péssima tradução de Maria Deling. O texto parece ter sido traduzido do espanhol e não diretamente do alemão. A pontuação é excessiva, muitas vezes desnecessária e confusa. Os tempos verbais mudam no meio da frase. A escolha de sucedâneos portugueses é estranha, parecendo que são muitos escritores num mesmo parágrafo.
Alguém devia fazer uma tradução que se preze desse autor.
O tema é espinhoso, podendo ser reduzido aos sentimentos de paixão de um homem à beira da velhice por um menino. Seria homosexual se não ficasse no plano espiritual, como se isso fosse desculpa para as violentas paixões enrustidas que o personagem vive. O meio ambiente construído pelo autor é de decadência, beirando o fantástico nas situações conspiratórias que o destino organiza.
Mas fica nisso.
Fiquei até com saudade de ler J. G. Ballard, conhecido pelo filme "Império do Sol" (é ele o menino no campo de concentração japonês), mas com outros contos e romances em ambientes pós-apocalipticos, devastados, decadentes, úmidos e quentes.
Continuo querendo um bom livro para ler.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Olhar do Leopardo


Dom Fabrizio é um homem singular. Nascido nobre de longa linhagem, conquistou vasta cultura, mesma para os padrões dos nobres seus contemporâneos. Conhecia os grandes autores da literatura em suas línguas originais, percorreu o mundo civilizado e especializou-se em astronomia. Capaz de meditações originais e análises em perspectiva, sabia avaliar o mundo à sua volta com lucidez.

No pequeno romance, demonstra diversas vezes esse olhar crítico que conflita com preconceitos e preceitos que até hoje, com toda nossa urbanidade e americanização, só recrudesceram. Como quando admite para si mesmo que seu filho natural é limitado, até estúpido, quando comparado ao seu sobrinho Tancredi. Ou quando lamenta que o poder dos senhores feudais de seu tempo não lhe permitam certos prazeres. E em outras ocasiões, sempre tocando onde mais dói sem nenhuma piedade, principalmente consigo mesmo.

Esse tipo de consciência sempre me perseguiu. Daí me identificar tanto com o livro.

Outro autor que me apontou esse problema de caráter, foi Umberto Eco, num livrinho “Viagem na Irrealidade Cotidiana”, uma coletânea de artigos e crônicas analisando sem perdão as atualidades de Comunicação e a estupidez humana. Aliás, foi uma citação ligeira do Eco, num sofrível livro seu "A Mágica Chama da Rainha Loana" que me fez comprar "O Leopardo". Num certo trecho do livro "Viagem...", conta da sensação de irrealidade que o invade quando se defronta com certas situações cotidianas. Como se pergunta o significado de certos gestos, costumes, usos e atitudes, até se perguntar como a humanidade pode chegar nesse ponto. Qual o objetivo e o significado?

Todo dia, acontece alguma coisa que desperta essa sensação. Ou um monte de coisas. Depende do dia. Por exemplo, o que é uma gravata além de um pano estúpido que você pendura no pescoço, que um dia serviu para fazer escorregar a cinza de charuto enquanto a homarada se reunia para conversações? Qual a razão de existência de um instituto de metereologia que diz que só vai chover dali a três dias e naquela madrugada você acorda assustado com trovões, pois não ia chover, sofrendo todo o dia seguinte com água que cai à vontade? E olha que o sujeito que estudou, dispõe de satélites, estações, computadores, estatísticas e pessoal com largos recursos financeiros, foi categórico e até soberbo em seu prognóstico. Quem já acordou azedo e se perguntou para que serve arte, essa coisa estúpida, quase sempre sem sentido, sabe do que estou falando. Quem um dia concluiu que só se enrolou na vida, com mulheres, filhos, amigos e trabalho que não tem nada a ver consigo, entende. Outras mil perguntas, tipo: como um motor de automóvel fabricado ontem ainda é primitivo, sujo, frágil e ineficiente. Perguntas universais, tipo: para que serve afinal um vereador, deputado ou senador?

Assim vai, até todo dia se perguntar, depois de olhar em torno, para seus rituais diários, seu trabalho antes tão excitante e hoje insuportavelmente maçante, para uma embalagem de papelão que cobre um invólucro plástico que acomoda um papel alumínio, para toda a inacreditável reunião de tolices à sua volta:
O que é que eu estou fazendo aqui?